Reflexão: Zoológicos

Bairro Alto Boqueirão_ Zoológico de Curitiba – Parque Iguaçu – Casa das Girafas
Curitiba, 28/01/1996
Foto: Anielle Nascimento/SMCS (01713-09a)

Mais uma triste notícia foi veiculada no último final de semana relatando a morte de um visitante em um zoológico chinês. O acidente ocorreu no último domingo (29), quando um homem entrou, por motivos ainda desconhecidos, na jaula de um dos tigres do Zoológico de Youngor Wildlife Park, na cidade de Ningbo, cerca de 200 km ao sul de Xangai. O rapaz que estava no local com esposa e filhos foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. Há pouco mais de 6 meses, em Pequim, uma mulher também foi atacada por tigres no Badaling Wildlife World e não sobreviveu.

Esse tipo de notícia não é incomum, e, já nos deparamos com inúmeros casos de acidentes envolvendo animais mantidos em cativeiros e zoológicos, inclusive no Brasil.  Quem não se lembra do acidente envolvendo uma criança e o Tigre Hu no Zoológico da cidade de Cascavel (PR), no ano de 2014, em que uma das consequências foi a amputação do braço do menino?

Pois bem, é muito comum que nesses casos os órgãos competentes sacrifiquem os animais envolvidos nas tragédias, ou ainda os mantenham em solitárias, apliquem castigos corporais, entre outras insanidades, com o aval de grande parte da população, a qual tratam esses animais apenas como “bichos selvagens”, “perigosos” e “agressivos”.

O que muitas vezes esquecemos é de como esses seres são tratados. Como animais! E quem disse que ser tratado como animal deve ser sinônimo de mau tratamento? Os animais são seres sencientes, que possuem sentimentos e merecem ser respeitados. Nossa legislação hoje já prevê punição para os agentes que praticarem maus tratos aos animais, através da Lei 9.605/98 e da Lei de Crimes Ambientais, embora o tratamento jurídico dado aos animais em nosso país ainda seja de “coisa”.

Mas o tratamento legal dado a esses seres é mero reflexo de como nossa sociedade ainda olha para os animais, sejam eles domésticos ou não. E o Zoológico é apenas a ponta do Iceberg, mas que merece atenção.

Afinal, qual a moralidade existente na manutenção de seres vivos, livres por natureza, em cativeiro, ainda que suas condições mínimas de existência sejam mantidas (água e alimentação) para que possamos nos deleitar com sua exoticidade?

Esses animais estão fora do seu habitat, expostos a estresses diários (ainda que estes tentem ser minimizados por uma “boa” gestão do Zoo) e somente pensamos que eles têm vida quando essa extenuação vem à tona, causando tragédias, como as já mencionadas.

Devemos nos lembrar de OSLO – o Zoológico humano, que existiu na Noruega há cerca de um século, exibindo pessoas de origem africana como atrações. Naqueles tempos, essas pessoas eram tratadas como os animais que hoje mantemos presos. Hoje nos envergonhamos, enquanto humanidade,  e carregamos os fantasmas desse passado. A reflexão é: repetiremos o mesmo erro?

 

Por: Nathália Vieira.

 

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