Teoria do amor – poema jurídico

Por Anderson Sant’Anna (Transcrito de Nação Jurídica)

Se “o amor” fosse crime,
Seria formal, material e analítico.
Seria bipartido ou tripartido?
Seria uni ou pluriofensivo?

Em se tratando de amor, tudo.
O amor seria formal, pois amar e ser amado é próprio do ser humano.
Substancial, pois sempre há lesão ou perigo de lesão a um bem jurídico imensurável:
“A capacidade de amar pura incondicionalmente”…
Amar e ser amado envolve risco de mágoa e decepção.
E para cada coração petrificado a humanidade ganha um morto-vivo circulando pelas ruas.

Se o amor fosse um delito,
Seria crime, delito e contravenção.
Punido com privação de liberdade, restrição de direitos e multas.
Haveria um corriqueiro “bis in idem”…
Pois na maioria das vezes, amar também é sofrer.

Se o amor fosse um delito,
Uns o definiriam comum, outros especial ou de mão própria.
Que seja! Afinal… Poderia ser praticado por qualquer pessoa…
Mas qualquer pessoa… Uma vez que ama e é amada… Deixa de ser “qualquer pessoa”…
Ambas são criaturas especiais… Transpirando, respirando, bebendo e comendo “amor”
E todo e qualquer ato, único ou múltiplo, seria dolosamente realizado sob esse prisma.

E o resultado seria típico vinculado à conduta:
Olhar, pele, desejo, afinidades, fenitelamina e epinefrina consumariam o delito amor.
Que poderia ser objeto de dois ou vários atos e qualificado pelo resultado.

E o tempo diria se foi instantâneo, permanente ou ambos.
O tempo diria se foi habitual, uni ou plurissubssistente.
E o tempo seria a punição, o juiz natural e pela dosimetria da pena, a cura.

Razão e emoção debateriam se o amor foi subsidiário, complexo, progressivo ou de passagem.

Se o amor fosse crime…
Seria casual, fortuito ou de “força maior”, nunca seria omisso.
Ninguém ama por negligência.
Ninguém ama por imperícia.
Ninguém ama por imprudência.

O amor está para o coração, assim como o “coração” está pra vida.
O amor é humano, e ao mesmo tempo divino…
É o que nos torna imagem e semelhança de Deus!

Se “o amor” fosse crime…
Quantos de nós estaríamos presos?
Quantos de nós seria réu confesso?
Quantos de nós seríamos reincidentes?

Fatalmente… Se o amor fosse crime todos seríamos criminosos.
Mas o maior crime seria viver sem nunca amar e ser amado!
Porque não seria “viver”… Seria um invisível existir.

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